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Posts Tagged ‘lista’

Fazer lista é sempre difícil e sempre gera discussões, já que é bastante pessoal. Mas também é sempre divertido.

Eu sempre gostei de fazê-las e discuti-las.

Acabo de receber as primeiras cópias do meu primeiro CD, de umas das minhas bandas: Garibaldo e o resto do mundo. Além da emoção que senti, principalmente por saber o quão trabalhoso foi conseguir realizar isso, me bateu uma vontade de contar minha história com a música através dos discos que mudaram minha cabeça e que me mostraram o caminho da luz.

Fiz uma lista de dez discos que representam bem as bandas que me trouxeram até aqui, apesar da ausência de algumas delas, como Ramones, Iron Maiden, Interpol, Pato Fu, etc etc etc, essa  lista foi a melhor que consegui fazer:

Nirvana é a banda da minha vida, Kurt é meu compositor, letrista, guitarrista e vocalista preferido. Foi a primeira banda de rock pela qual me apaixonei, e foram os primeiros a me abrir a mente para um tipo de pensamento com o qual não estava acostumado: a criação artística como possível (para mim, a melhor) forma de sobrevivência em mundo de angústias. Obviamente que o primeiro disco que ouvi do Nirvana foi o Nevermind, e foi toda aquela coisa sim: arrebatamento. Mas escolhi o In Utero por ser esse o disco mais bem acabado, e mais representativo do Nirvana, em minha opinião. Ele possui o critério que me fez escolher boa parte dos outros discos desta lista: é seminal, no sentido de apontar para várias direções, de possuir sementes de vários tipos de som desenvolvidos depois por outras bandas. Esse é meu disco do Nirvana.

Do Nirvana, tudo surgiu. Sonic Youth me veio por causa deles. Comecei a escutar Sonic Youth de verdade em 2002-03, e desde então sou fascinado com a capacidade criativa dessa banda. Em relação à sonoridade, eles são os que mais foram longe, e bem, sem cair na loucura psicodélica ou vanguardista (no sentido ruim) do tudo/nada como música; não importa o quão elaborado seja o som, nem a mais estranha das afinações, nem modo unusual de tocar, ainda possuem a essência punk que tanto gosto e que me formou musicalmente. Escolhi Daydream Nation por ser o melhor, quem gosta da banda sabe e concorda. Só tem clássicos no disco, a última faixa: Trilogy (The Wonder – Hyperstation – Eliminator Jr.) é uma pancada, uma trinca de canções das mais bonitas na história do rock.

Gritei muito com o primeiro Los Hermanos, me emocionei com o Ventura e chorei com as pérolas do 4. Mas o Bloco é o melhor, mais marcante para mim. Me pegou bem no meio de uma mudança de vida, no modo de me relacionar com as pessoas, e no modo de eu pensar as coisas. Outro disco seminal, tá tudo ali: samba (que não sou fã, de jeito maneira), resquícios do primeiro disco, canções maiores, tem muito de Weezer no bloco (o que me faz gostar dele mais ainda), tem a letra de “Todo carnaval tem seu fim” que é um acontecimento. Nesse disco, vi que a diversidade, o ecletismo (que palavra/conceito-chato!) pode realizar-se concretamente e não apenas servir, covardemente, de escudo ou fuga conceitual. Eu sou Los Hermanos até o fim.

Já escrevi sobre Raimundos aqui. Conheci a banda com puteiro em João Pessoa, no tempo que MTV era “a” TV. Naqueles idos de 98-99 eu era guri, e nem conhecia alguém que sabia o que era rock, rs. Quase impossível era ouvir algum disco da banda, por isso a MTV era a minha salvação. Só quase no ensino médio consegui uma K7 de Só no Forevis. Tinha música em novela e tal, “Mulher de fases” estourada, e os outros diziam que tinham se vendido e toda aquela balela de sempre. Esse é meu disco do Raimundos por representar toda a luta que era ouvir rock.

PAUL, e Ringo : Being for the Benefit of Mr. Kite! Só isso.

Tá, Radiohead. Tá, Ok Computer. Ir ver o show ano passado foi a melhor coisa que fiz na minha vida. Gosto de todos os discos menos Pablo Honey, que não tem nada de bom, ruim mesmo. Kid A é o grande, divino, mesmo. Mas o Ok Computer: seminal. Radiohead é banda conceitual, mas o som vai além de qualquer tipo de intenção. Me lembro bem, depois desse disco, do anterior também, mas principalmente depois de Ok Computer, todas a bandas britânicas, menos o Oasis e o Blur que estavam tentando se matar, queriam ser o Radiohead. Amo esse disco. É o disco pra levar pra ilha deserta da pergunta idiota. Fora que absolutamente todos os integrantes do Radiohead são os maiores instrumentistas da música pop atual. E tenho dito.

Rated R é bonito do começo ao fim. Toda a trajetória do rock até a data da feitura desse disco é contada por ele: do mais puro punk rock à verdadeira pancadaria metaleira. Escolhi esse disco por ter sido o primeiro que ouvi do QOTSA, em 2004, quando já conhecia a banda, e ouvia os caras no programa que meu amigo Ricardo Netto tinha em uma rádio comunitária nessa época (programa cujo único ouvinte era eu, rsrs). Lógico, o que chama atenção no Rated são as guitarras, os timbres, efeitos. É um disco fundamental na minha vida; tem “Better Living Through Chemistry” que é simplesmente maravilhosa, riff, baixo, psicodelia, solo: perfeita!!! QOTSA é meio que moda hoje em dia, mas Josh é gênio, e que se foda o resto.

Pavement é um acontecimento na minha vida. Conheci a banda no Lado B, Mondo Massari, junto com Superchunk,  Spiriualized, Travis, Teenage Fanclub, Jon Spencer, etc, etc, etc. Lindo tempo. Acho que é simplicidade, e, ao mesmo tempo, sofisticação. Pixies, Sonic Youth e Pavement (talvez um Jesus and Mary Chain) definiram um certo tipo “alternativo” de fazer rock. Indie. 90. Gosto muito das letras do Stephen Malkmus (gênio, pra mim) e um dos vocais mais bonitos ever: desleixo na voz, canta sem preocupação alguma, quase uma fala de tão natural. Escolhi esse disco por ter “Here”, mas não só por isso; esse disco foi cirurgicamente estudado, dissecado e copiado por milhares de bandas/artistas, tão fundamental ele é. Fundação de um estilo.

Strokes é a única das bandas que tem disco nessa minha lista que eu vi nascer, crescer e, provavelmente, verei morrer. 2001. Lembro exatamente o fuzuê todo que foi. Consegui ter acesso à banda no mesmo ano do lançamento desse disco. Era o sepultamento do New Metal, o que me deixou muito mais próximo da banda. Mas mal sabiam eles, os Strokes, que era o começo de uma era chata de indie inglês chato tentando imitá-los a qualquer custo. Strokes foi o primeiro grande expoente do som produzido na década de 00, e, mesmo a década finda, continuo achando que eles são melhores que todas as bandas que vieram depois. Is This It é bonito por causa das canções, da falta de pretensão e por causa da naturalidade. Os arranjos são marcantes e inconfundíveis, o baixo reto, as guitarras quase soando como uma só, a bateria singela…  lindo disco.

Escolhi Clash porque eles foram além com esse disco. Já é algo mais que Punk, e olha que punk já é tudo. Guns of Brixton é foda. Jimmy Jazz. Hateful. As linhas de Baixo. Tem arranjo de metal pra porra. Todas as letras são boas. É dançante demais. Aliás, aqui em casa, quando boto pra tocar, minha mãe pira de dançar e embromar cantando, meus irmãos sabem todas as músicas, cresceram ao som desse disco; em verdade, ouvir London Calling virou um momento de confraternização familiar. Ouvi demais esse disco, e é importante pra mim pois representa criatividade ao extremo. Influenciou todas as bandas que eu gosto, e me influenciou diretamente. Clash é unanimidade, mais que Ramones: fato.

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