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PLATÔ

 Platô Especial Vol.III Lançado em 02 de Abril de 2009

Platô Especial Vol.III Lançado em 02 de Abril de 2009

Foi em 2005. E eu consigo lembrar exatamente como.

Ingressei na Uema no ano de 2005 para a frustrante – por isso rápida – jornada no curso de Letras de lá; e logo nos primeiros dias, entrei em contato com um jornalzinho organizado e publicado por Márcio e Eduardo Monteiro (este último, baixista da banda Pedra Polida) chamado MOVIMENTANDO: foi a primeira vez que me vi estimulado a publicar escritos meus.

Nesse mesmo período comecei a ter contato maior com Marco, Josué e Fábio, e desde as conversas iniciais de nossa amizade a literatura e a música sempre foram os temas principais; era evidente, como ainda o é, a nossa vontade de produzir algo que juntasse ou dissesse respeito a essas duas coisas.

Aí tivemos o estalo.

Estava na casa de Fábio e mostrei-lhe o MOVIMENTANDO, e ele com seu jeito leonino de ser (entenda-se exibido e egocêntrico, rsrsrs) falou que nós podíamos fazer melhor, ligamos imediatamente para Josué e desde então publicamos o PLATÔ (a idéia do nome, PLATÔ, surgiu no mesmo dia, muito mais pela sonoridade da palavra do que por qualquer outra coisa).

primeira edição

PLATÔ 1ª Edição. Lançada em fevereiro de 2006.

A primeira edição foi completa empolgação: um zine nosso, com nossos textos e idéias! Não parece muita coisa, e talvez nem seja, mas, para nós, foi e continua sendo muita coisa. Era tanta empolgação que nós nem sentimos o dinheiro saindo de nossos bolsos para bancar as cópias; quer dizer, nós menos Josué, que, ”malacamente”, ou “canhengamente”, teve a idéia de conseguir apoio nos C.A’s espalhados na UFMA para tirar as cópias das próximas edições.

Já foram 7 edições até agora e é provável que já tenhamos chegado a mais de mil cópias distribuídas, não tenho certeza. Uma coisa importante sobre a produção do nosso zine é que, a partir da terceira edição, Josué e Marco encabeçaram a organização das idéias e a produção do PLATÔ, a distribuição das imagens e textos no papel e a definição das contribuições que recebemos e publicamos, Fábio e eu, preguiçosos que somos e também pelas outras ocupações que temos (eu acabei saindo da UFMA mais cedo, Fábio também – apesar de já ter voltado – e arranjamos um serviço de horário incomum) só escrevemos,  acompanhando tudo, porém, dando idéia aqui e ali; dito isto, todo o mérito das imagens e idéias devem ser creditados à dupla dinâmica Marco Anderson Monteiro e Josué Gomes Brandão.

segunda edição

PLATÔ 2ª Edição. Lançada em Junho de 2006.

Outra coisa importante são as pessoas que entraram um pouco depois fazendo parte integrante da concepção do zine como Alex “drug” dos Santos, Zé Antonio Azedo e a presença, nas últimas edições, de Rayra rodrigues.

Quanto ao conteúdo, nem sempre acertamos nos textos, alguns são bem ruins, principalmente os meus primeiros, mas, em vez de sentir vergonha deles, eu acabo é me divertindo. No geral, acho que temos bons escritos, alguns ótimos, em cada uma das edições tem um ou dois que merecem maior atenção. Os textos em si são diferentes um dos outros, não poderia ser de outro modo já que cada um de nós, apesar das semelhanças e gostos em comum, estuda e é influenciado por coisas variadas (exemplo: eu não suporto nenhum dos textos bíblicos tão caros aos meus queridos Fábio e Josué). Ainda em relação aos textos, a maioria das críticas ao zine que recebo é que às vezes ele parece uma grande piada interna, incompreensível aos que estão de fora; devo admitir que muitas das coisas que publicamos é isso mesmo: uma grande piada interna, mas que nunca deixou de buscar e revelar referências que a maioria das pessoas conhecem.

terceira edição

PLATÔ 3ª Edição. Lançado em Novembro de 2006.

Uma das coisas mais legais no PLATÔ, além de tudo o que eu já disse, é que ele sempre surgiu das conversas “produtivas” que tínhamos e continuamos a ter, só que agora com menos freqüência; das curtições sobre nossos músicos, escritores, poetas, personagens históricos, filósofos favoritos (Gullar, Kant, Moisés, até o Todo Poderoso – coitado – sofrem muito em nossas mãos) ou nem tanto assim (essa lista é extensa, de Marilena Chauí a nós mesmos); dos deboches e futricas sobre pessoas que conhecemos e não gostamos – ou até mesmo as que gostamos; das situações bizarras que criávamos para toda essa gente, enfim, nada escapa ao PLATÔ…

Platô Especial Vol. #02. Lançado em Novembro de 2008.

Platô Especial Vol. #02. Lançado em Novembro de 2008.

Outra coisa legal é que a distribuição é mão a mão, cada um tem sua cota de cópias e escolhe a pessoa que quiser para a entrega; isso já nos rendeu belas histórias, muitas amizades e algumas mulheres, ooops! Elogios e confrontos, tudo cara a cara; fomos do constrangimento na distribuição da primeira edição à cara de pau de entregar umas edições para alguns de nossos ídolos (MOSKA, CIDADÃO INSTIGADO, NAÇÃO ZUMBI, ANTONIO VIEIRA).

especial 1

Platô Especial Vol.#01. Lançado em Maio de 2008.

PLATÔ tem quase 5 anos de existência e talvez esteja no fim, mas não sou eu que vou decretá-lo, deixo a missão para quem tem o trabalho maior na organização (a dupla dinâmica); todos estão fazendo ou querem fazer alguma coisa fora, e eu, particularmente, me sinto esgotado do formato fanzine, está na hora de publicar em outros meios, escritos melhores, ou pelo, menos, com acabamento melhor, com maior coerência comigo mesmo e com maior unidade. Mas temos pelo menos mais um pela frente, e não tenho dúvida que vai ser o melhor, pelas prévias que Josué me mostrou, vai ser o melhor!

Então para quem não conhece e quer conhecer, ou já conhece e que ter todas as edições digitalizadas para si, aqui estão nossos links:

No Orkut: PLATÔ

E todos zipados para download no megaupload: PLATÔ

PLATÔ 4. Lançado em Maio de 2007

PLATÔ 4. Lançado em Maio de 2007

Pareceu um texto de despedida carregado de nostalgia, esse.

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Os que me são próximos sabem da minha fixação (quase sempre motivo de chacota) pela Escócia, que, acredito eu, não surgira da apreciação das bandas geniais que existem em Glasglow e Edinburg (de Jesus and Mary Chain a Franz Ferdinand, passando por Teenage Fanclub e Primal Scream, minhas prediletas) nem da leitura de alguns belos escritores que de lá surgiram (Stevenson e Irvine Welsh), nem do superficial estudo a respeito da história tensa que envolve aquela região, nem do fascínio que tenho pela comida, ultra-gordurosa, escocesa (quem come feijão e salsicha no café da manhã merece meu respeito!), e nem muito menos pelo prazer, que ainda não tive, de experimentar o mundialmente famoso SCOTCH, mas surgira, sim, das imagens fortes que me foram apresentadas por dois filmes: TRAINSPOTTING e CORAÇÂO VALENTE.

Não vou discorrer a respeito dos filmes pois o intuito deste tópico é outro; o que importa dizer é que, apesar dos filmes serem completamente diferentes um do outro – um, heróico e propagador do comprometimento moral dos seus personagens com a história e constituição da nação escocesa,  o outro,  bestial, em que a quase totalidade dos personagens não tem compromisso algum com nada, nem consigo mesmos, inclusive -,  ambos exerceram uma espécie de fascínio lúdico em mim (quase como se estivesse em um sonho, distante porém palpável)  principalmente, pelo clima, vegetação e relevo daquela região; pelo sotaque duro, quase alemão, do inglês falado lá; e pelas pessoas, que me pareceram apaixonadas ao ponto de auto-destrutivas.

O fato é que sou louco pela Escócia – uma visita é um dos planos de vida! Mas enquanto ela não se realiza, comecei uma história inspirada num dos discos do TRAVIS: 12 MEMORIES; nem é o melhor deles, mas foi o que mais escutei, e escuto, portanto o que mais está impregnado em mim; a estória está saindo naturalmente, e se desenrola como um sonho, distante porém palpável, que dura exatamente 12 horas na Escócia.

Aqui vai a primeira das 12 MEMORIES:

A TERRA

nunca lá estive antes e depois nunca voltei.

… eu andava e dos meus pés saíam montanhas, aos montes, todas elas muito grandes – de enorme silêncio, e desgastadas de tantos outros pés – de séculos percorridos, e batalhas, e sangue! saíam campos, e verdes, muitos verdes em levante, muros que param os piores furacões, que ali não eram nem piores nem furacões, eram apenas falta, pois o vento, ele mesmo produto do êxtase de outros sopros, parava! confirmando a harmonia de todas as coisas que existiam naquela terra de tão longe, e que se me fazia palpável até no velho conhecido Tempo, inventado para dar explicação ao que não há: naquela terra de tão longe cada minuto era uma lembrança do que se vivia no exato momento em que se vivia e que se viveria continuamente enquanto ali.

o som de um cello solando era o dia: vívido, grave e constante, em exata consonância com aquele toque de imensidão que se espalhava pelo corpo inteiro, o meu e o daquele lugar, e que, quando encontrados os dois corpos, doía o peito de emoção, – e não há azul possível que bastasse essa dor, cinza afinal! pois de serenidade e lucidez, a dor, e o cinza.

a verdade é que, sem precisar, eu entendia somente o que me ocorria como imdiatez: o chão suportando meus peso, o cheiro de todos os lados, o musgo nos olhos, a lentidão dos processos orgânicos…

eu era sem fome, sem mente e sem restos, e, ainda assim, tão vivo quanto nunca.

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