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Archive for the ‘O resto do mundo’ Category

Este blog existe antes da banda, mas o nome do mesmo foi escolhido de forma proposital: eu já estava arquitetando o que depois viria a ser isso.

Pois bem!

Este será o último post do blog, e penso nele como o fim de um ciclo; e o motivo do fim desse ciclo é esse:

Clique na imagem para download do disco

Não serei enfadonho contando os detalhes todos das histórias que envolvem a composição, feitura e o trabalho em cima do disco. Acho que já falei demais sobre.

Importante é dizer obrigado a todos que apoiam a banda, aos que tiveram participação decisiva no nascimento do projeto, Adnon Soares e Ricardo Sanchez, e aos que se juntaram a mim nesse negócio de ser banda: PEDRINHO, KIKO, DECA E DENIS.

Aqui embaixo, todas as músicas do disco, com as letras:

MULHERES DE SALTO
(Paulo Henrique Moraes)

Mulheres de salto também amam
Dizem benzinho e tudo mais
Aquelas do alto também amam
E por amor suspiram ‘ais’
Mulheres de salto também amam
E também sofrem por amor
Não fingem, de fato elas choram
Dizem até que sentem dor
Mulheres de salto também amam
Têm o seu valor
As belas no ato se transformam
Por elas sou um predador!
PS: A música mais fácil que já fiz na minha vida. Os últimos dois versos da música são de Adnon; na época seria estranho eu pensar em algo parecido.

MULAMBO INOCENTE
(letra Rayra Rodrigues)
Vai me dizer
Que não sabe dizer
Que não sabe o que eu sei
O dia a dia acabou com a magia
Como imaginei
Trocar a fechadura
Juntar os velhos trapos
Começar tudo do zero
Será que um dia eu me acho?
Pelo menos nunca me iludi
Que essa vida é uma desgraça eu logo vi
Remei contra maré
Mas todo peixe sabe como é
Quando se quer algo maior do que se é
Quando se quer algo maior
E agora o que me resta?
Apenas um corpo
Quase morto de tanto se massacrar
Por insistir e persistir em sempre amar
PS: Originalmente um poema escrito pela querida Rayra. Musiquei e fiz uma gravação caseira que era mais para o samba rock, mas no estúdio tudo se transformou.

QUE NOVIDADE
(Letra: Paulo Henrique Moraes e Fábio Sabino)

Que é farsa, eu já sei
Então que seja, fingir
Se não for tara, tudo bem
Se não for caro, e daí?!
Só não espere me ver
Se a condição for sorrir
O tédio é bom, vejo tão bem
Que ele é melhor contigo aqui
Todo mundo gosta
Quando na resposta vem um calmo sim
Todo mundo beija
Fica na espreita de se ver feliz
Que eu queira mesmo te ver
Nem é verdade, só que
De modo algum e ninguém
Da natureza quer fugir
Quando parar já não sei
Mas nem me importa, mentir
Se não te mata, também
Não deve fazer mal a mim
PS: A letra do refrão é do meu amigo Fábio Sabino, e chegamos a tocá-la em umas duas apresentações com nossa querida Bosta Maravilha (aliás, tenho um vídeo dela nessa primeira versão)

CLAUSURA
(Paulo Henrique Moraes)

Por mais que eu quisesse adivinhar
O teu desprezo
Foi-me um ponto final
Além do que eu quisesse imaginar
Este perigo tornou-se real
O tempo passou
Só você não percebeu ou não quis
Talvez achasse ser assim
Mais fácil agüentar
Todo o peso desse desejo morto por mim
Um dia torto
Feito sem igual
Aberto ao tão banal
Pensar um fim feliz
É vontade nula
Mas se for outra vez clausura
Que se faça enfim
PS: A primeira música que fiz e que realmente gostei, ela é bem antiga, e foi a primeira a ser gravada. Gosto muito dessa gravação, tem umas mil guitarras ao fundo, tudo produto da cabeça de Adnon.
LIMBO
(Richardson Jorge, Adnon Soares e Paulo Henrique Moraes)
O que te faz
pensar melhor
O que há ali
Árduo calar
Quis me adormecer…
Fiz meu próprio fel…
Quis justificar…
Fui meu próprio réu…
PS: Música estranha e sem sentido algum, é feeling total. Ela era apenas um riff do amigo Chachado (Richardson Jorge) que se transformou nas mãos de Adnon; a letra surgiu na hora de gravar (por isso o primor de letra que é, rs)

VELUDO
(Paulo Henrique e Adnon Soares)

Na luz do dia
Nos olhos cores invisíveis
Nas mão melodias
No grito sons indizíveis
E vai velar
No seu cantar
E vai velar
Sua paz
Mas se vê assim
No final sereno
PS: Minha preferida, inclusive por causa do canto desafinado e fora do tom. A música é antiga, mas tinha estrutura e levada influenciada pelo rock Britânico (TRAVIS, essas bandas), obviamente que mudou muito. Fiz a letra para o amigo Bruno, a última a ser feita, o Adnon me ajudou a editar as palavras e foi decisivo na melodia.

C’EST LA VIE
(Paulo Henrique Moraes)

J’adore leur paroles, et toute
Les choses qu’elle m’a dit.
La vie, les jours, l’amour
J’adore les choses
Que je n’ai pas compris
Nous sommes le silence d’autrefois
Et d’aujourd’hui
La distance: douleur d’amour
Que je n’ai pas compris
C’est la vie, mon ami
C’est la vie
C’est la vie, mon ami
Qui est perdu
PS: Eu pensei que podia fazer e fiz, rsrs, se tá certo ou não, nem importa mais. O solo mais legal do disco.
EL PASO
(Paulo Henrique Moraes)

Entre la puerta que se abre delante nosotros y el mundo que cae allí fuera, prefiero tu regazo de las noches en que nosotros sólo descansamos de los deseos hechos de carne y prisa. La vista desciende hasta tu jardín de flores rara, creciendo a la orden natural de las cosas, satisfaciendo los desígnios de su essência  y desabrochando perfumes y vida en la forma flúida. Tus piernas sostienen el cielo que es mi sueño de siempre, son los motivos de mi seguridad de nunca. Y cuando desciendo el camino que me señala  tus suavidad, encuentro no sólo las lisuras de tus partes como toda tu especie en síntesis. Lo que atrás es oscuridad y desconocido, a mis deseos vivos demuestra como las curvas blandas de la cierta duda! Yo te vuelco y te hallo, y te hallo porque tú estás allí para mi, como si yo fuera el primer hombre y tú, la primera de las perdicíones.
PS: Eu falo isso tudo ao fundo, apesar de parecer outra coisa, principalmente pelo nome EL PASO, que surgiu de uma brincadeira com Adnon, esse é um texto erótico; Google Tradutor Rules!!!!

AGORA É A VEZ DA BANDA EXISTIR DE FATO, QUEM NOS ACOMPANHA?!


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Fazer lista é sempre difícil e sempre gera discussões, já que é bastante pessoal. Mas também é sempre divertido.

Eu sempre gostei de fazê-las e discuti-las.

Acabo de receber as primeiras cópias do meu primeiro CD, de umas das minhas bandas: Garibaldo e o resto do mundo. Além da emoção que senti, principalmente por saber o quão trabalhoso foi conseguir realizar isso, me bateu uma vontade de contar minha história com a música através dos discos que mudaram minha cabeça e que me mostraram o caminho da luz.

Fiz uma lista de dez discos que representam bem as bandas que me trouxeram até aqui, apesar da ausência de algumas delas, como Ramones, Iron Maiden, Interpol, Pato Fu, etc etc etc, essa  lista foi a melhor que consegui fazer:

Nirvana é a banda da minha vida, Kurt é meu compositor, letrista, guitarrista e vocalista preferido. Foi a primeira banda de rock pela qual me apaixonei, e foram os primeiros a me abrir a mente para um tipo de pensamento com o qual não estava acostumado: a criação artística como possível (para mim, a melhor) forma de sobrevivência em mundo de angústias. Obviamente que o primeiro disco que ouvi do Nirvana foi o Nevermind, e foi toda aquela coisa sim: arrebatamento. Mas escolhi o In Utero por ser esse o disco mais bem acabado, e mais representativo do Nirvana, em minha opinião. Ele possui o critério que me fez escolher boa parte dos outros discos desta lista: é seminal, no sentido de apontar para várias direções, de possuir sementes de vários tipos de som desenvolvidos depois por outras bandas. Esse é meu disco do Nirvana.

Do Nirvana, tudo surgiu. Sonic Youth me veio por causa deles. Comecei a escutar Sonic Youth de verdade em 2002-03, e desde então sou fascinado com a capacidade criativa dessa banda. Em relação à sonoridade, eles são os que mais foram longe, e bem, sem cair na loucura psicodélica ou vanguardista (no sentido ruim) do tudo/nada como música; não importa o quão elaborado seja o som, nem a mais estranha das afinações, nem modo unusual de tocar, ainda possuem a essência punk que tanto gosto e que me formou musicalmente. Escolhi Daydream Nation por ser o melhor, quem gosta da banda sabe e concorda. Só tem clássicos no disco, a última faixa: Trilogy (The Wonder – Hyperstation – Eliminator Jr.) é uma pancada, uma trinca de canções das mais bonitas na história do rock.

Gritei muito com o primeiro Los Hermanos, me emocionei com o Ventura e chorei com as pérolas do 4. Mas o Bloco é o melhor, mais marcante para mim. Me pegou bem no meio de uma mudança de vida, no modo de me relacionar com as pessoas, e no modo de eu pensar as coisas. Outro disco seminal, tá tudo ali: samba (que não sou fã, de jeito maneira), resquícios do primeiro disco, canções maiores, tem muito de Weezer no bloco (o que me faz gostar dele mais ainda), tem a letra de “Todo carnaval tem seu fim” que é um acontecimento. Nesse disco, vi que a diversidade, o ecletismo (que palavra/conceito-chato!) pode realizar-se concretamente e não apenas servir, covardemente, de escudo ou fuga conceitual. Eu sou Los Hermanos até o fim.

Já escrevi sobre Raimundos aqui. Conheci a banda com puteiro em João Pessoa, no tempo que MTV era “a” TV. Naqueles idos de 98-99 eu era guri, e nem conhecia alguém que sabia o que era rock, rs. Quase impossível era ouvir algum disco da banda, por isso a MTV era a minha salvação. Só quase no ensino médio consegui uma K7 de Só no Forevis. Tinha música em novela e tal, “Mulher de fases” estourada, e os outros diziam que tinham se vendido e toda aquela balela de sempre. Esse é meu disco do Raimundos por representar toda a luta que era ouvir rock.

PAUL, e Ringo : Being for the Benefit of Mr. Kite! Só isso.

Tá, Radiohead. Tá, Ok Computer. Ir ver o show ano passado foi a melhor coisa que fiz na minha vida. Gosto de todos os discos menos Pablo Honey, que não tem nada de bom, ruim mesmo. Kid A é o grande, divino, mesmo. Mas o Ok Computer: seminal. Radiohead é banda conceitual, mas o som vai além de qualquer tipo de intenção. Me lembro bem, depois desse disco, do anterior também, mas principalmente depois de Ok Computer, todas a bandas britânicas, menos o Oasis e o Blur que estavam tentando se matar, queriam ser o Radiohead. Amo esse disco. É o disco pra levar pra ilha deserta da pergunta idiota. Fora que absolutamente todos os integrantes do Radiohead são os maiores instrumentistas da música pop atual. E tenho dito.

Rated R é bonito do começo ao fim. Toda a trajetória do rock até a data da feitura desse disco é contada por ele: do mais puro punk rock à verdadeira pancadaria metaleira. Escolhi esse disco por ter sido o primeiro que ouvi do QOTSA, em 2004, quando já conhecia a banda, e ouvia os caras no programa que meu amigo Ricardo Netto tinha em uma rádio comunitária nessa época (programa cujo único ouvinte era eu, rsrs). Lógico, o que chama atenção no Rated são as guitarras, os timbres, efeitos. É um disco fundamental na minha vida; tem “Better Living Through Chemistry” que é simplesmente maravilhosa, riff, baixo, psicodelia, solo: perfeita!!! QOTSA é meio que moda hoje em dia, mas Josh é gênio, e que se foda o resto.

Pavement é um acontecimento na minha vida. Conheci a banda no Lado B, Mondo Massari, junto com Superchunk,  Spiriualized, Travis, Teenage Fanclub, Jon Spencer, etc, etc, etc. Lindo tempo. Acho que é simplicidade, e, ao mesmo tempo, sofisticação. Pixies, Sonic Youth e Pavement (talvez um Jesus and Mary Chain) definiram um certo tipo “alternativo” de fazer rock. Indie. 90. Gosto muito das letras do Stephen Malkmus (gênio, pra mim) e um dos vocais mais bonitos ever: desleixo na voz, canta sem preocupação alguma, quase uma fala de tão natural. Escolhi esse disco por ter “Here”, mas não só por isso; esse disco foi cirurgicamente estudado, dissecado e copiado por milhares de bandas/artistas, tão fundamental ele é. Fundação de um estilo.

Strokes é a única das bandas que tem disco nessa minha lista que eu vi nascer, crescer e, provavelmente, verei morrer. 2001. Lembro exatamente o fuzuê todo que foi. Consegui ter acesso à banda no mesmo ano do lançamento desse disco. Era o sepultamento do New Metal, o que me deixou muito mais próximo da banda. Mas mal sabiam eles, os Strokes, que era o começo de uma era chata de indie inglês chato tentando imitá-los a qualquer custo. Strokes foi o primeiro grande expoente do som produzido na década de 00, e, mesmo a década finda, continuo achando que eles são melhores que todas as bandas que vieram depois. Is This It é bonito por causa das canções, da falta de pretensão e por causa da naturalidade. Os arranjos são marcantes e inconfundíveis, o baixo reto, as guitarras quase soando como uma só, a bateria singela…  lindo disco.

Escolhi Clash porque eles foram além com esse disco. Já é algo mais que Punk, e olha que punk já é tudo. Guns of Brixton é foda. Jimmy Jazz. Hateful. As linhas de Baixo. Tem arranjo de metal pra porra. Todas as letras são boas. É dançante demais. Aliás, aqui em casa, quando boto pra tocar, minha mãe pira de dançar e embromar cantando, meus irmãos sabem todas as músicas, cresceram ao som desse disco; em verdade, ouvir London Calling virou um momento de confraternização familiar. Ouvi demais esse disco, e é importante pra mim pois representa criatividade ao extremo. Influenciou todas as bandas que eu gosto, e me influenciou diretamente. Clash é unanimidade, mais que Ramones: fato.

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Conheci o trabalho do Go Home Productions, que é o nome do projeto do Dj britânico Mark Vidler, através de um link do Régis Tadeu, que além de ser um dos jurados de calouros no programa do Raul Gil, tem uma coluna sobre música   no portal Yahoo.  Pois bem. Antes de tudo, vamos ao som do projeto (que como irão ver, não é bem “do” projeto) :

O que mais me chamou atenção nesse projeto – ponto principal de uma velha discussão a respeito de música pop – é que, em um nível não muito profundo, tudo que foi feito desde o surgimento do rock, tudo, meio que se equivale musicalmente; diferem as pessoas, os contextos, a emoção causada, a preponderância comercial, a criatividade, etc. (e isso já é muito), mas ainda são as mesmas notas, acordes, continuam as mesmas harmonias. Não quero, de maneira nenhuma, dizer que Beatles equivale por completo ao A-ha, o que quero dizer é que os processos pelos quais essas bandas se fazem existir estão dentro de um conjunto de possibilidades limitadas, tanto de formato como de conteúdo – mas aí vão me perguntar: mas todo tipo de produção artística não está fadada a essa limitação?! e eu respondo: Fato! Mas a questão principal não é essa. A questão principal (e essa é tão velha quanto nós) é: se já sabemos disso tudo, por que diabos nós continuamos a querer criar?

Nesse sentido, John Cage foi um dos poucos na música que disse não à limitação, mas, com isso, disse não à própria música:

PS: só quero alertar que a reflexão proposta inclui uma série infindável de argumentos filosóficos, históricos, sociológicos etc, etc, etc… e eu nem  tenho cabedal, nem tenho paciência para alongar a discussão nesses termos. Falo do ponto de vista de quem faz música, de quem vai continuar a fazer.

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Estava vendo o novo post da série (muitofoda) versões no blog de Pataugaza quando olhei para o lado, onde estão os links de blogs, e cliquei neste  aqui. Vasculhando achei um link para download dessa maravilha.

Raimundos marcou os anos 90 no Brasil; marcou os meus anos 90, pelo menos. Escutava os caras direto. Conheci a banda quando tinha 13. Junto com Nirvana, formaram meu gosto musical na adolescência. Me lembro que em 99 (ou 2000, não sei ao certo) os caras vieram a São Luís tocar em uma casa de show na forquilha, onde hoje é a Igreja Universal. Era a época do Só no Forevis, disco que corou o Raimundos como a maior banda brasileira da década. Como disse, tinha 13 anos, e não poderia ir sozinho ao show, e meu pai também não quis me levar; mas soube que foi histórico. Menos de 2 anos depois a banda acabou, apesar de ainda continuar em atividade – Rodolfo, compositor/vocal/guitarra e membro mais emblemático dos Raimundos, converteu-se ao protestantismo, logo em seguida abandonou a  banda: para todos que gostam da banda, ali foi o fim.

Hoje, Rodolfo, que sempre foi um letrista dos mais criativos, cuja imaginação ultrapassava a lógica da vida comum, é pastor da insólita (para não dizer mais)  Igreja Bola de Neve.

Aqui vos deixo com a genial Comic  do Angeli  baseado na letra verídica  e sensacional de  “Puteiro em João Pessoa”.

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Por

Fábio Sabino, pseudo-jornalista

Ele tem orelha de craque, focinho de craque e até uns trejeitos de craque. Seu “estar em campo” é um espetáculo por si só: chuteiras multicoloridas (apropriadas para jogar pisando em cifras), caras, bocas, chiliques, bordões et pourquoi pas uma torrente de comentaristas digamos “na sua”. Mas olhando bem, centrando-se somente na nobre arte de chutar bola, vem então a assombrosa constatação: “Ei, meu vizinho Dodoca joga mais do que esse cara (pega a cerveja, cospe e afunda no sofá consternado)”.

A Copa do Mundo recém finada foi a prova maior desse fenômeno. Entre jogos toscos e horas de debates sobre a tal bola maluca e as concepções teosóficas de Kaká, fui me sentindo cada vez mais e mais enganado por boleiros que faziam malabarismos nos comerciais, após horas de ensaio e não conseguiam acertar o passe para um companheiro a uma mônada de distância e, invariavelmente, deixavam suas seleções de passagem comprada para voltar pra casa.

É difícil entender como essa “figura” apareceu no futebol. Talvez o baixo nível dos campeonatos, a necessidade de vender a imagem do clube e dos patrocinadores através de uma estrela explique a situação.

Para transmitir melhor a idéia de que trato, posso citar vários exemplos de atletas que estiveram na copa última e que se encaixam perfeitamente na categoria de pseudo-craques: Robben, Robinho, Pirlo, Di Maria, Lampard, Elano, Anelka, (paro por aqui, a lista pode ser exaustiva). Alguns dominam bem algum fundamento do jogo e pela falta de um craque legítimo nas respectivas seleções até passam, outros tem no incompreensível a única explicação para o seu sucesso profissional.

Denilson, o hoje “””””’comentarista”””””” de futebol, é o Tipo Ideal para explicar o caso. Após súbita explosão na carreira, apoiada na sua inegável capacidade para o drible e para o pagode, o sujeito vai para Europa e simplesmente estaciona no processo de desenvolvimento de potencialidades e, passados alguns anos, retorna tendo conquistado nada, mas ainda assim aclamado “malabarista da bola”. Assim fez-se mais um charlatão de chuteiras.

Sou jovem, mas vi Zico, Laudrup, Hagi, Baggio, Zidane, Romário e Ronaldo em campo. E vi Rivelino, Cruijff, Pelé, Di Stéfano, Beckenbauer e outros tantos em vídeo. Sou vivido demais para me deixar enganar. Assisti a Copa, me empolguei como sempre, mas não me saia da boca o gosto de ludíbrio: paguei, mas não levei ou paguei por um texto de Tchekhov  e recebi um casamento de quadrilha como encenação.

Em poucos dos que estiveram em campo no último mês identifico as qualidades que os ponham ombro a ombro com os gênios citados. Falta-lhes talento e mesmo originalidade para levarem o futebol um passo á frente que seja. Kakás, Cristianos Ronaldos e Luis Fabianos (o encabuloso) são meninos de mandado, seja lá de quem for e em tempos mais generosos em talentos não teriam o nome que tem.

É claro que há ótimos jogadores e, uns mais outros menos, se destacaram na Copa. Para citar somente dois, fico com Forlan e Messi. O primeiro levou até onde foi possível uma seleção que aprendeu a não depender somente da nobreza de sua camisa, o segundo, mesmo abaixo do que pode fazer, jogou bem, ainda que mal acompanhado por um time com organização tática de padrão várzeano.

E antes que afoguemos de vez o Mundial no merecido esquecimento, cabe apenas o desejo de que nos próximos anos não triunfe o jogador de plástico, o “quase-bom”, o arremedo e que sim, ainda restem exemplares da nobre linhagem dos que, como disse o poeta João Cabral de Mello Neto, tratam a bola com “malícia e atenção/ dando aos pés astúcias de mãos”.

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No último post do ano passado , entre outras coisas, falei que tinha entrado em uma nova banda formada pelos, agora, amigos Tiago Pinhead, Serjão e Kiko, que além de serem grandes músicos, são pessoas das mais divertidas que já encontrei por aqui.

Pois bem, o nome da banda é VELTTENZ, e relembrando o post citado, disse que ela ia me dar muitas alegrias esse ano: está dando, e como!

Gravamos duas músicas até agora, com o mais que produtor Adnon Soares no estúdio do próprio: Casa Louca. As duas músicas estão aqui, e em breve estarão também no EP que pretendemos lançar até setembro. Por enquanto tudo indo bem para que isso aconteça.

Nesse primeiro semestre fizemos três apresentações, todas muito divertidas. Em uma delas, seguindo a cartilha rock n’ roll, arrebentei com tudo, inclusive com meus dedos, que, por causa de uma palheta quebrada, foram obrigados a dar sangue, literalmente, pela apresentação:

Blood is Rock - sangria dos meus dedos na minha querida telecaster

Ontem tocamos no Rockada : fest organizado pela Basarone Produções do incansável Bavu. Fizemos um show sucinto, músicas nossas em maioria, como tem que ser. Uma delas, ainda sem nome, foi gravada pela minha pequena Raquel. O audio tá estourado porque minha câmera é ruim mesmo; enfim, vale pelo registro.

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Outro dia, uma amiga que tempos não vejo – e que de certa forma exerceu grande influência no meu modo atual de agir e pensar -, em tom de ironia, ou aviso, disse-me que não acreditava em grupos, que não aventava sequer a possibilidade deles existirem. Entendo seus motivos, e, mais do que isso, sei que essa opinião é fruto de sua personalidade um tanto que impaciente. Bem, não quero julgar o mérito da questão, mas dizem por aí que grupos somente existem por conveniências, de todos os tipos, e tão logo elas acabem, os tais grupos deixam de existir. Como eu disse, não quero julgar o mérito da questão, porém, mesmo sendo parte de um grupo – a famigerada SOCIEDADE CULTURAL CURRIOLA, sei que o laço maior que nos une enquanto grupo é a amizade que temos um pelo outro; amizades em diferentes níveis, aliás; e algum tipo de vontade de fazer o que nós fazemos: escrever, atuar, filmar e compor. Pois bem, o quero dizer é o seguinte:

Marco é o meu irmão gêmeo, apesar dos abundantes pêlos e dos seus 1,90, ou algo como isso. Foi o primeiro com quem tive contato, foi minha paixão ao primeiro silêncio (ele consegue ser o único a não me constranger com silêncio, porém um dos poucos que consegue embaraçar-me com sua discrição), e, como já disse a ele, o melhor fazedor de poemas entre nós.

Josué é o cara que mete medo em todo mundo; em outros tempos, o que carregava inconveniência no bolso (e já disse várias vezes isto a ele, mas como elogio), dizendo coisas que tinham a incrível capacidade de nos fazer repensar grandes conceitos mesmo sendo chulices das mais baixas, daquelas que nós adoramos. Ele é o que mais produz; e sua música é cada vez melhor!

José Antonio, mais conhecido como Zé, é um daqueles Freaks de seriado americano, ou de algum filme lado b dos 80, figura magnífica, cuja amizade não é deveras próxima, mas por quem tenho apreço enorme. Homem capaz de desenhar traços simples, e, ao mesmo tempo, escrever textos de total extravagância.

Bruno é o meu compositor favorito ultimamente, me sinto feliz em está tocando com ele, sinto-me como quase um krist Novoselic (perdoem-me a comparação). Ele namorou durante 3,4 anos uma das minhas melhores amigas e durante esse período não trocamos muitas palavras, mas agora que tiramos o atraso e ele, para minha alegria, se importa bem mais com certas coisas que também me dizem respeito, estamos numa boa, numa ótima!

Raquel é minha, e eu, dela! E isso já diz tudo.

Fabio é um puto! Poderia parar aqui e isso já diria tudo sobre Fábio, mas como ele precisa, e merece, atenção (I Love you, man! Rsrs), algumas palavras: ele tem as idéias, as imagens mais originais que escuto de gente próxima, e não apenas uma ou duas, mas quase todas; um músico de classe, que escapa sempre – quando quer – do óbvio; ele só tem aqueles probleminhas, que Jeanne, sua namorada, deve conhecer melhor que ninguém: desatenção e preguiça crônica, para escrever nem se fala – procure disciplinar-se, rapaz, já ta na hora…

Jeanne é a única pessoa capaz de fazer uma roupa da “POP SHOW” (credo!) parecer visualmente bonita, pela beleza que lhe é, e pela beleza que ela dá à roupa, sempre!

Cha chado (Richardson, para os não íntimos) é o cara! Ele já deve ter ouvido isso várias vezes, e é verdade; ele inventa um monte de projetos para dar sentido a sua inquietação, bela inquietação – misto de revolta e vontade. Ele é o idealizador e principal realizador da maioria das coisas que fazemos em grupo, foi ele que disse que existia a tal SOCIEDADE CULTURAL CURRIOLA e desde então existimos, ou fingimos existir (e mais uma vez, eu não quero entrar no mérito da questão). Em suma, se ele disser que irá fazer “aquilo ou isso outro”, eu irei com ele porque sei que ele irá fazer, e não apenas dizer que irá fazer.

Alex é o drug líder por sua sagacidade, o cara que consegue as melhores tiradas ever, é uma melhor que outra, sempre tem algo mais que ele pode e diz, as pessoas querendo ouvir ou não, uma mistura de sinceridade (para o que tem que ser – por isso ele é o mais mais de nós todos) com esperteza espontânea; fora que tem textos lindos (pena que não o leio muito, e nem sei se ele é muito freqüente na escrita) e disponibiliza-nos, de quando em vez, filmes maravilhosos.

Rayra foi a última com quem tive contato, e o que deu pra perceber, ou receber dela até agora é esse tal desespero apaixonado (necessário, sob medida, a qualquer um que se meta com arte) com que ela trata as coisas, os seus escritos e parte de sua vida.

Não poderia deixar de citar Dácia e Igor, que mesmo não fazendo parte disso tudo, são grandes influências para mim. Dácia pelo embate de idéias não declarado que há entre nós, apesar das muitas concordâncias; porém cada vez mais ela se situa em uma ponta e eu em outra dos processos intelectuais, mas ela sabe que é a pessoa que mais me provoca no mundo, enfim, nosso relacionamento é um processo, complexo…  Igor é o cara que se mantém em contato com todos e ao mesmo tempo com ninguém, tendo plena convicção do que faz, do que escreve, das idéias que tem, e, por isso, prefere se fazer por si, eu o respeito por isso! E, de todos, o que me abriu os olhos para mais possibilidades de escrita.

As influências dessas pessoas no que faço e no que vivo são óbvias, não preciso numerá-las, portanto. Sou grato a cada um pela influência e amizade; todos têm seus deslizes, e sei parte deles, mas ninguém é perfeito, e não me interessa julgar ou apontar o que não gosto nos outros, prefiro ficar com o que há de bom. Se somos um grupo?! Tanto faz, eu só sei que vou continuar admirando cada um deles pelo que são e pelo que fazem, mesmo não sabendo, por mim…

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