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Archive for the ‘Garibaldo’ Category

Este blog existe antes da banda, mas o nome do mesmo foi escolhido de forma proposital: eu já estava arquitetando o que depois viria a ser isso.

Pois bem!

Este será o último post do blog, e penso nele como o fim de um ciclo; e o motivo do fim desse ciclo é esse:

Clique na imagem para download do disco

Não serei enfadonho contando os detalhes todos das histórias que envolvem a composição, feitura e o trabalho em cima do disco. Acho que já falei demais sobre.

Importante é dizer obrigado a todos que apoiam a banda, aos que tiveram participação decisiva no nascimento do projeto, Adnon Soares e Ricardo Sanchez, e aos que se juntaram a mim nesse negócio de ser banda: PEDRINHO, KIKO, DECA E DENIS.

Aqui embaixo, todas as músicas do disco, com as letras:

MULHERES DE SALTO
(Paulo Henrique Moraes)

Mulheres de salto também amam
Dizem benzinho e tudo mais
Aquelas do alto também amam
E por amor suspiram ‘ais’
Mulheres de salto também amam
E também sofrem por amor
Não fingem, de fato elas choram
Dizem até que sentem dor
Mulheres de salto também amam
Têm o seu valor
As belas no ato se transformam
Por elas sou um predador!
PS: A música mais fácil que já fiz na minha vida. Os últimos dois versos da música são de Adnon; na época seria estranho eu pensar em algo parecido.

MULAMBO INOCENTE
(letra Rayra Rodrigues)
Vai me dizer
Que não sabe dizer
Que não sabe o que eu sei
O dia a dia acabou com a magia
Como imaginei
Trocar a fechadura
Juntar os velhos trapos
Começar tudo do zero
Será que um dia eu me acho?
Pelo menos nunca me iludi
Que essa vida é uma desgraça eu logo vi
Remei contra maré
Mas todo peixe sabe como é
Quando se quer algo maior do que se é
Quando se quer algo maior
E agora o que me resta?
Apenas um corpo
Quase morto de tanto se massacrar
Por insistir e persistir em sempre amar
PS: Originalmente um poema escrito pela querida Rayra. Musiquei e fiz uma gravação caseira que era mais para o samba rock, mas no estúdio tudo se transformou.

QUE NOVIDADE
(Letra: Paulo Henrique Moraes e Fábio Sabino)

Que é farsa, eu já sei
Então que seja, fingir
Se não for tara, tudo bem
Se não for caro, e daí?!
Só não espere me ver
Se a condição for sorrir
O tédio é bom, vejo tão bem
Que ele é melhor contigo aqui
Todo mundo gosta
Quando na resposta vem um calmo sim
Todo mundo beija
Fica na espreita de se ver feliz
Que eu queira mesmo te ver
Nem é verdade, só que
De modo algum e ninguém
Da natureza quer fugir
Quando parar já não sei
Mas nem me importa, mentir
Se não te mata, também
Não deve fazer mal a mim
PS: A letra do refrão é do meu amigo Fábio Sabino, e chegamos a tocá-la em umas duas apresentações com nossa querida Bosta Maravilha (aliás, tenho um vídeo dela nessa primeira versão)

CLAUSURA
(Paulo Henrique Moraes)

Por mais que eu quisesse adivinhar
O teu desprezo
Foi-me um ponto final
Além do que eu quisesse imaginar
Este perigo tornou-se real
O tempo passou
Só você não percebeu ou não quis
Talvez achasse ser assim
Mais fácil agüentar
Todo o peso desse desejo morto por mim
Um dia torto
Feito sem igual
Aberto ao tão banal
Pensar um fim feliz
É vontade nula
Mas se for outra vez clausura
Que se faça enfim
PS: A primeira música que fiz e que realmente gostei, ela é bem antiga, e foi a primeira a ser gravada. Gosto muito dessa gravação, tem umas mil guitarras ao fundo, tudo produto da cabeça de Adnon.
LIMBO
(Richardson Jorge, Adnon Soares e Paulo Henrique Moraes)
O que te faz
pensar melhor
O que há ali
Árduo calar
Quis me adormecer…
Fiz meu próprio fel…
Quis justificar…
Fui meu próprio réu…
PS: Música estranha e sem sentido algum, é feeling total. Ela era apenas um riff do amigo Chachado (Richardson Jorge) que se transformou nas mãos de Adnon; a letra surgiu na hora de gravar (por isso o primor de letra que é, rs)

VELUDO
(Paulo Henrique e Adnon Soares)

Na luz do dia
Nos olhos cores invisíveis
Nas mão melodias
No grito sons indizíveis
E vai velar
No seu cantar
E vai velar
Sua paz
Mas se vê assim
No final sereno
PS: Minha preferida, inclusive por causa do canto desafinado e fora do tom. A música é antiga, mas tinha estrutura e levada influenciada pelo rock Britânico (TRAVIS, essas bandas), obviamente que mudou muito. Fiz a letra para o amigo Bruno, a última a ser feita, o Adnon me ajudou a editar as palavras e foi decisivo na melodia.

C’EST LA VIE
(Paulo Henrique Moraes)

J’adore leur paroles, et toute
Les choses qu’elle m’a dit.
La vie, les jours, l’amour
J’adore les choses
Que je n’ai pas compris
Nous sommes le silence d’autrefois
Et d’aujourd’hui
La distance: douleur d’amour
Que je n’ai pas compris
C’est la vie, mon ami
C’est la vie
C’est la vie, mon ami
Qui est perdu
PS: Eu pensei que podia fazer e fiz, rsrs, se tá certo ou não, nem importa mais. O solo mais legal do disco.
EL PASO
(Paulo Henrique Moraes)

Entre la puerta que se abre delante nosotros y el mundo que cae allí fuera, prefiero tu regazo de las noches en que nosotros sólo descansamos de los deseos hechos de carne y prisa. La vista desciende hasta tu jardín de flores rara, creciendo a la orden natural de las cosas, satisfaciendo los desígnios de su essência  y desabrochando perfumes y vida en la forma flúida. Tus piernas sostienen el cielo que es mi sueño de siempre, son los motivos de mi seguridad de nunca. Y cuando desciendo el camino que me señala  tus suavidad, encuentro no sólo las lisuras de tus partes como toda tu especie en síntesis. Lo que atrás es oscuridad y desconocido, a mis deseos vivos demuestra como las curvas blandas de la cierta duda! Yo te vuelco y te hallo, y te hallo porque tú estás allí para mi, como si yo fuera el primer hombre y tú, la primera de las perdicíones.
PS: Eu falo isso tudo ao fundo, apesar de parecer outra coisa, principalmente pelo nome EL PASO, que surgiu de uma brincadeira com Adnon, esse é um texto erótico; Google Tradutor Rules!!!!

AGORA É A VEZ DA BANDA EXISTIR DE FATO, QUEM NOS ACOMPANHA?!


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Prefiro Ser São é o nome da última música que eu fiz esse ano, veio rápida até mim, terminei a composição em menos de 10 minutos (letra e música). Mas o seu sentido, que ainda era um pouco confuso para mim, tem ganhado mais coerência a partir da reflexão sobre artistas que escutei insistentemente esse ano. Acho que a música veio deles, para eles.

PREFRO SER SÃO
Tempo é queda, instantes
Duvido se lembrar
Passado tão distante
Em que viver e só, viver era… E só!
Eu tento, o que me move é pouco
Mesmo que no gozo
Mesmo que no gosto
Amargo do que eu não posso ter
Eu vou vivendo… E só?! Se só, vivendo
Que volta não há mais
Pois nada é pra trás
Se segue com o tempo
Ou se morre e diz: fim!
Nunca fui de desistir
Prefiro ser são
Parar, olhar, sentir que tudo vai…
E o futuro o que há-de ser?!

 

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Fazer lista é sempre difícil e sempre gera discussões, já que é bastante pessoal. Mas também é sempre divertido.

Eu sempre gostei de fazê-las e discuti-las.

Acabo de receber as primeiras cópias do meu primeiro CD, de umas das minhas bandas: Garibaldo e o resto do mundo. Além da emoção que senti, principalmente por saber o quão trabalhoso foi conseguir realizar isso, me bateu uma vontade de contar minha história com a música através dos discos que mudaram minha cabeça e que me mostraram o caminho da luz.

Fiz uma lista de dez discos que representam bem as bandas que me trouxeram até aqui, apesar da ausência de algumas delas, como Ramones, Iron Maiden, Interpol, Pato Fu, etc etc etc, essa  lista foi a melhor que consegui fazer:

Nirvana é a banda da minha vida, Kurt é meu compositor, letrista, guitarrista e vocalista preferido. Foi a primeira banda de rock pela qual me apaixonei, e foram os primeiros a me abrir a mente para um tipo de pensamento com o qual não estava acostumado: a criação artística como possível (para mim, a melhor) forma de sobrevivência em mundo de angústias. Obviamente que o primeiro disco que ouvi do Nirvana foi o Nevermind, e foi toda aquela coisa sim: arrebatamento. Mas escolhi o In Utero por ser esse o disco mais bem acabado, e mais representativo do Nirvana, em minha opinião. Ele possui o critério que me fez escolher boa parte dos outros discos desta lista: é seminal, no sentido de apontar para várias direções, de possuir sementes de vários tipos de som desenvolvidos depois por outras bandas. Esse é meu disco do Nirvana.

Do Nirvana, tudo surgiu. Sonic Youth me veio por causa deles. Comecei a escutar Sonic Youth de verdade em 2002-03, e desde então sou fascinado com a capacidade criativa dessa banda. Em relação à sonoridade, eles são os que mais foram longe, e bem, sem cair na loucura psicodélica ou vanguardista (no sentido ruim) do tudo/nada como música; não importa o quão elaborado seja o som, nem a mais estranha das afinações, nem modo unusual de tocar, ainda possuem a essência punk que tanto gosto e que me formou musicalmente. Escolhi Daydream Nation por ser o melhor, quem gosta da banda sabe e concorda. Só tem clássicos no disco, a última faixa: Trilogy (The Wonder – Hyperstation – Eliminator Jr.) é uma pancada, uma trinca de canções das mais bonitas na história do rock.

Gritei muito com o primeiro Los Hermanos, me emocionei com o Ventura e chorei com as pérolas do 4. Mas o Bloco é o melhor, mais marcante para mim. Me pegou bem no meio de uma mudança de vida, no modo de me relacionar com as pessoas, e no modo de eu pensar as coisas. Outro disco seminal, tá tudo ali: samba (que não sou fã, de jeito maneira), resquícios do primeiro disco, canções maiores, tem muito de Weezer no bloco (o que me faz gostar dele mais ainda), tem a letra de “Todo carnaval tem seu fim” que é um acontecimento. Nesse disco, vi que a diversidade, o ecletismo (que palavra/conceito-chato!) pode realizar-se concretamente e não apenas servir, covardemente, de escudo ou fuga conceitual. Eu sou Los Hermanos até o fim.

Já escrevi sobre Raimundos aqui. Conheci a banda com puteiro em João Pessoa, no tempo que MTV era “a” TV. Naqueles idos de 98-99 eu era guri, e nem conhecia alguém que sabia o que era rock, rs. Quase impossível era ouvir algum disco da banda, por isso a MTV era a minha salvação. Só quase no ensino médio consegui uma K7 de Só no Forevis. Tinha música em novela e tal, “Mulher de fases” estourada, e os outros diziam que tinham se vendido e toda aquela balela de sempre. Esse é meu disco do Raimundos por representar toda a luta que era ouvir rock.

PAUL, e Ringo : Being for the Benefit of Mr. Kite! Só isso.

Tá, Radiohead. Tá, Ok Computer. Ir ver o show ano passado foi a melhor coisa que fiz na minha vida. Gosto de todos os discos menos Pablo Honey, que não tem nada de bom, ruim mesmo. Kid A é o grande, divino, mesmo. Mas o Ok Computer: seminal. Radiohead é banda conceitual, mas o som vai além de qualquer tipo de intenção. Me lembro bem, depois desse disco, do anterior também, mas principalmente depois de Ok Computer, todas a bandas britânicas, menos o Oasis e o Blur que estavam tentando se matar, queriam ser o Radiohead. Amo esse disco. É o disco pra levar pra ilha deserta da pergunta idiota. Fora que absolutamente todos os integrantes do Radiohead são os maiores instrumentistas da música pop atual. E tenho dito.

Rated R é bonito do começo ao fim. Toda a trajetória do rock até a data da feitura desse disco é contada por ele: do mais puro punk rock à verdadeira pancadaria metaleira. Escolhi esse disco por ter sido o primeiro que ouvi do QOTSA, em 2004, quando já conhecia a banda, e ouvia os caras no programa que meu amigo Ricardo Netto tinha em uma rádio comunitária nessa época (programa cujo único ouvinte era eu, rsrs). Lógico, o que chama atenção no Rated são as guitarras, os timbres, efeitos. É um disco fundamental na minha vida; tem “Better Living Through Chemistry” que é simplesmente maravilhosa, riff, baixo, psicodelia, solo: perfeita!!! QOTSA é meio que moda hoje em dia, mas Josh é gênio, e que se foda o resto.

Pavement é um acontecimento na minha vida. Conheci a banda no Lado B, Mondo Massari, junto com Superchunk,  Spiriualized, Travis, Teenage Fanclub, Jon Spencer, etc, etc, etc. Lindo tempo. Acho que é simplicidade, e, ao mesmo tempo, sofisticação. Pixies, Sonic Youth e Pavement (talvez um Jesus and Mary Chain) definiram um certo tipo “alternativo” de fazer rock. Indie. 90. Gosto muito das letras do Stephen Malkmus (gênio, pra mim) e um dos vocais mais bonitos ever: desleixo na voz, canta sem preocupação alguma, quase uma fala de tão natural. Escolhi esse disco por ter “Here”, mas não só por isso; esse disco foi cirurgicamente estudado, dissecado e copiado por milhares de bandas/artistas, tão fundamental ele é. Fundação de um estilo.

Strokes é a única das bandas que tem disco nessa minha lista que eu vi nascer, crescer e, provavelmente, verei morrer. 2001. Lembro exatamente o fuzuê todo que foi. Consegui ter acesso à banda no mesmo ano do lançamento desse disco. Era o sepultamento do New Metal, o que me deixou muito mais próximo da banda. Mas mal sabiam eles, os Strokes, que era o começo de uma era chata de indie inglês chato tentando imitá-los a qualquer custo. Strokes foi o primeiro grande expoente do som produzido na década de 00, e, mesmo a década finda, continuo achando que eles são melhores que todas as bandas que vieram depois. Is This It é bonito por causa das canções, da falta de pretensão e por causa da naturalidade. Os arranjos são marcantes e inconfundíveis, o baixo reto, as guitarras quase soando como uma só, a bateria singela…  lindo disco.

Escolhi Clash porque eles foram além com esse disco. Já é algo mais que Punk, e olha que punk já é tudo. Guns of Brixton é foda. Jimmy Jazz. Hateful. As linhas de Baixo. Tem arranjo de metal pra porra. Todas as letras são boas. É dançante demais. Aliás, aqui em casa, quando boto pra tocar, minha mãe pira de dançar e embromar cantando, meus irmãos sabem todas as músicas, cresceram ao som desse disco; em verdade, ouvir London Calling virou um momento de confraternização familiar. Ouvi demais esse disco, e é importante pra mim pois representa criatividade ao extremo. Influenciou todas as bandas que eu gosto, e me influenciou diretamente. Clash é unanimidade, mais que Ramones: fato.

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