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Archive for the ‘Contículos’ Category

Os que me são próximos sabem da minha fixação (quase sempre motivo de chacota) pela Escócia, que, acredito eu, não surgira da apreciação das bandas geniais que existem em Glasglow e Edinburg (de Jesus and Mary Chain a Franz Ferdinand, passando por Teenage Fanclub e Primal Scream, minhas prediletas) nem da leitura de alguns belos escritores que de lá surgiram (Stevenson e Irvine Welsh), nem do superficial estudo a respeito da história tensa que envolve aquela região, nem do fascínio que tenho pela comida, ultra-gordurosa, escocesa (quem come feijão e salsicha no café da manhã merece meu respeito!), e nem muito menos pelo prazer, que ainda não tive, de experimentar o mundialmente famoso SCOTCH, mas surgira, sim, das imagens fortes que me foram apresentadas por dois filmes: TRAINSPOTTING e CORAÇÂO VALENTE.

Não vou discorrer a respeito dos filmes pois o intuito deste tópico é outro; o que importa dizer é que, apesar dos filmes serem completamente diferentes um do outro – um, heróico e propagador do comprometimento moral dos seus personagens com a história e constituição da nação escocesa,  o outro,  bestial, em que a quase totalidade dos personagens não tem compromisso algum com nada, nem consigo mesmos, inclusive -,  ambos exerceram uma espécie de fascínio lúdico em mim (quase como se estivesse em um sonho, distante porém palpável)  principalmente, pelo clima, vegetação e relevo daquela região; pelo sotaque duro, quase alemão, do inglês falado lá; e pelas pessoas, que me pareceram apaixonadas ao ponto de auto-destrutivas.

O fato é que sou louco pela Escócia – uma visita é um dos planos de vida! Mas enquanto ela não se realiza, comecei uma história inspirada num dos discos do TRAVIS: 12 MEMORIES; nem é o melhor deles, mas foi o que mais escutei, e escuto, portanto o que mais está impregnado em mim; a estória está saindo naturalmente, e se desenrola como um sonho, distante porém palpável, que dura exatamente 12 horas na Escócia.

Aqui vai a primeira das 12 MEMORIES:

A TERRA

nunca lá estive antes e depois nunca voltei.

… eu andava e dos meus pés saíam montanhas, aos montes, todas elas muito grandes – de enorme silêncio, e desgastadas de tantos outros pés – de séculos percorridos, e batalhas, e sangue! saíam campos, e verdes, muitos verdes em levante, muros que param os piores furacões, que ali não eram nem piores nem furacões, eram apenas falta, pois o vento, ele mesmo produto do êxtase de outros sopros, parava! confirmando a harmonia de todas as coisas que existiam naquela terra de tão longe, e que se me fazia palpável até no velho conhecido Tempo, inventado para dar explicação ao que não há: naquela terra de tão longe cada minuto era uma lembrança do que se vivia no exato momento em que se vivia e que se viveria continuamente enquanto ali.

o som de um cello solando era o dia: vívido, grave e constante, em exata consonância com aquele toque de imensidão que se espalhava pelo corpo inteiro, o meu e o daquele lugar, e que, quando encontrados os dois corpos, doía o peito de emoção, – e não há azul possível que bastasse essa dor, cinza afinal! pois de serenidade e lucidez, a dor, e o cinza.

a verdade é que, sem precisar, eu entendia somente o que me ocorria como imdiatez: o chão suportando meus peso, o cheiro de todos os lados, o musgo nos olhos, a lentidão dos processos orgânicos…

eu era sem fome, sem mente e sem restos, e, ainda assim, tão vivo quanto nunca.

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