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Archive for novembro \30\UTC 2010

Prefiro Ser São é o nome da última música que eu fiz esse ano, veio rápida até mim, terminei a composição em menos de 10 minutos (letra e música). Mas o seu sentido, que ainda era um pouco confuso para mim, tem ganhado mais coerência a partir da reflexão sobre artistas que escutei insistentemente esse ano. Acho que a música veio deles, para eles.

PREFRO SER SÃO
Tempo é queda, instantes
Duvido se lembrar
Passado tão distante
Em que viver e só, viver era… E só!
Eu tento, o que me move é pouco
Mesmo que no gozo
Mesmo que no gosto
Amargo do que eu não posso ter
Eu vou vivendo… E só?! Se só, vivendo
Que volta não há mais
Pois nada é pra trás
Se segue com o tempo
Ou se morre e diz: fim!
Nunca fui de desistir
Prefiro ser são
Parar, olhar, sentir que tudo vai…
E o futuro o que há-de ser?!

 

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Na primeira vez que li João Cabral de Melo Neto, entendi o que era poesia (de verdade), seriedade intelectual e integridade humana.

Tem essa entrevista genial do Geneton Moraes Neto com o Poeta, aqui, feita em 1986. E é dela que retiro esse trecho:

 

GMN: O senhor sempre diz que não gosta de fazer poesia dada a emoções porque o que se chama comumente de emoção é algo feito à base de um sentimentalismo fácil e barato. O senhor diz, pelo contrário, que “emoção é outra coisa”. Mas nunca ficou exatamente clara a definição que o senhor tem de “emoção”. Dá para explicar – de uma vez por todas?

João Cabral: “Minha definição de emoção não é nada de especial. É o que todos chamam de “emoção”. O que acontece é que me recuso a explorar essa coisa diretamente. O interesse do poeta não é descrever suas emoções e criar emoções, é criar um objeto – se é poeta, um poema; se é pintor, um quadro – que provoque – emoções no espectador. Mas não explorar nem descrever a própria emoção. Quando digo que sou contra emoção é exatamente neste sentido: o de usar a minha emoção para fazer com ela uma obra, descrevê-Ia primariamente e construir, com ela, um poema”.

GMN: Quer dizer, afinal, que o senhor não é exatamente contra a emoção: é contra a exploração da emoção…

João Cabral: “Exatamente! (Faz ar de alívio, como se a charada estivesse resol- vida). Quanto a esse descrever da emoção e da sentimentalidade, a grande maioria da poesia que se escreve no mundo é assim. A obrigação do poeta, repito, é criar um objeto, um poema, que seja capaz de provocar emoção no leitor”.

GMN: O que é que o senhor chama de “emoção intelectual”? Já vi o senhor usando esta expressão..:

João Cabral: “Um grande crítico americano uma vez disse o seguinte de uma poetisa americana, Edna Miller: que ele não gostava da poesia que ela fazia porque não tinha interesse intelectual. É nesse sentido que eu digo. Você pode ver perfeitamente quais são os escritores que têm um interesse intelectual e quais são os que não têm. Confesso que o escritor que não tem interesse intelectual não me interessa.

A mim, me interessa enormemente a poesia de Joaquim Cardozo, mas nunca me interessou a poesia de Emílio Moura – de Minas Gerais. Eu sinto que não tinha interesse intelectual. Não só a poesia de Emílio Moura, mas a grande maioria dos poetas brasileiros. Aliás, dos poetas brasileiros, não, mas do que se chama no mundo todo de poesia. Um homem de mediana inteligência não vê interesse intelectual naquilo. Tenho a impressão de que pode ser um defeito meu. Mas confesso. A atividade intelectual é uma coisa que seduz. Vivo para ela. Quando leio um poeta que só é capaz de provocar essas emoções correntes, como saudade, melancolia ou tristeza, essa coisa não me interessa. Ora, se tenho minhas emoções, para que vou buscar emoções semelhantes numa outra coisa?”.

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